29 de setembro de 2016

Insignificante escada.


Você estava lá, apoiado naquele mudo observando a ‘’vista’’ que se pode ver daquele lado, não tão bonita quanto poderia ser, mas coberta de lembranças. Certa vez eu te disse que em todo lugar sempre haveria um pouco de nós, um lugar, uma música, um perfume no ar, ou até mesmo uma insignificante escada.

Quem dera eu pudesse garantir que todas as vezes em que você estivesse naquele lugar, respiraria fundo de olhos fechados e lembraria daquele dia, do beijo que deixou de me dar e o abraço que ficou no ar. Por algumas vezes cheguei a pensar que muitas coisas que você deixou de fazer, mudariam nossa vida.

Quem dera eu pudesse garantir que depois de lembrar disso, você poderia até sentir uma ponta de arrependimento, mas mais que isso, sentiria saudade e acabaria sorrindo. De repente um pequeno filme poderia passar na sua cabeça com todos os pequenos, rápidos e profundos momentos que passamos juntos.

Não gosto que você beba, mas tenho certeza que um copo de cerveja ou vinho, uma noite tranquila e a companhia de algumas músicas com certeza faria você viajar. Parado ali naquela varanda, de repente debruçado naquele muro, você olhe para cima na espera de me ver ali, a sua espera.  

Eu não estarei lá a sua espera como aquela sexta feira, mas em todas as vezes que me procurar em seus pensamentos espero estar lá, ou ali, com o mesmo amor de sempre para te dar.

19 de setembro de 2016

Farol.

''Não dá para ninguém nos ver aqui, ainda que nos vejam, não saberão que somos nós!''



As noites de verão eram sempre bem movimentadas naquele lugar maravilhoso. Uns dizem que ''nunca será'' mas eu bato a mão no peito para afirmar que Paquetá é sim, um lugar paradisíaco!
Tão bela, tão formosa, cheia de curvas e história para contar, essa é a verdadeira Ilha de Paquetá, mais conhecida como Ilha dos Amores. A, o amor... A, os apaixonados.

Aquele verão, nós deveríamos estar beirando os primeiros meses de namoro, o décimo terceiro mês para ser mais especifica. Era férias, era janeiro, era verão, o sol indo dormir mais tarde, o dia durando mais, as pessoas naturalmente mais vivas e animadas, a cerveja mais gelada, as roupas mais frescas, os cabelos mais naturais.

De dia as praias ficavam bastante movimentadas, de tarde um churrasco ou encontro com a galera e de noite sempre tinha um evento legal no Iate Clube ou no Municipal. Ô época boa (suspiro). André e eu costumávamos sair de dia pela ilha para simplesmente adorar a beleza do lugar, tirávamos varias fotos de casais apaixonados e fazíamos vários planos para o futuro, sonhando sem ter certeza de que ele existiria de fato. Legal é hoje, com nosso filho e nossa casa, olhar para trás e lembrar desses dias... É de fato deu tudo certo, aliás, está dando.

Aquele dia foi realmente um tipico dia de verão em Paquetá. Quando a noite caiu, ele me puxou pelo braço e disse que queria me mostrar um lugar. Sempre gostei de surpresas mesmo sem saber reagir a elas. Lembro como se tivesse sido ontem. Ele me levando na bicicleta. Eu amo sentir o vento batendo no meu rosto quando andamos de bicicleta, mais uma coisa tipica de Paquetá. Eu não sei andar e a sete anos eu frequento a Ilha e ele nunca quis me ensinar, não é má vontade, uma vez ele me disse que não me ensinada porque queria sempre me levar, para sempre ficarmos juntinhos. Eu achei até muito fofo para alguém que não é nada romântico.

Chegamos. E lá estávamos nós dois, de frente para uma ''passarela'' que parecia dar no nada, eu questionei se era realmente ali o ''lugar'' que ele queria me levar e ele afirmou com a cabeça enquanto esticava o braço para eu ir na frente. Uma coisa eu tenho que dizer, o que ele não tem de romântico ele tem de cavalheiro. A passarela era extreita e as vezes batia uns respingos D'Água nas minhas pernas. 

A única iluminação que tinha era da Lua e das estrelas, realmente um clima maravilhoso. No final da ''passarela'' tinha um farol, e de frente realmente era 'nada' além de um marzão escuro iluminado pela lua. Ficamos ali por horas, juntos, abraçado, dividindo um espaço bem apertado, ali foi um dos lugares que sonhamos acordados com o Raphael. Jovens, recém namorados, tão apaixonados. 
Nem se voltarmos neste lugar hoje em dia, seria tão especial como foi aquela primeira vez, mesmo que no meio da noite, a barca passasse novamente na hora certa, fazendo nós nos calarmos e observamos como é linda a marola que ela deixa no mar ao desfilar ao redor de Paquetá. Mas quando eu fecho os olhos e consigo sentir a mesma emoção que aquela noite. Deixo aqui um pouco de romantismo e amor, dos nossos primeiros meses juntos.


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